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Conservação de Obras de Artes Especiais Pontes e Viadutos

As pontes e viadutos são obras de infraestrutura conhecidas como Obras de Arte Especiais (OAE), assim como as demais estruturas da construção civil elas são projetadas com uma determinada vida útil e, de modo a assegurar e prolongar essa vida, as OAEs devem passar por processos contínuos de preservação.

O grande problema é a defasada cultura de manutenção nas obras já realizadas presente hoje no Brasil. As empresas focam na execução e não dão a devida atenção ao pós-obra, aos processos de manutenção necessários. A falta de manutenção faz com que várias estruturas tenham perda de desempenho, gerando grandes impactos e transtornos na dinâmica das cidades, além do alto custo de recuperação de OAE que teve a sua funcionalidade perdida em parte ou por completo.

No Brasil, recentemente, houveram alguns episódios aos quais a falta de inspeção, acompanhamento e manutenção levaram algumas estruturas ou partes delas ao colapso. O caso mais recente ocorreu no da 15/11/18. O viaduto da pista expressa da Marginal Pinheiros, em São Paulo, sofreu acentuado recalque, fazendo com que parte do seu tabuleiro cedesse aproximadamente dois metros. Algum mês antes, em Brasília, parte da estrutura do viaduto, na área central de Brasília, foi ao colapso.

Fica claro que em ambas as Obras de Artes Especiais não ocorriam as devidas inspeções ou manutenções, comprometendo o desempenho da estrutura

Para que se possibilite o prolongamento da vida útil das obras de arte, alguns procedimentos devem ser realizados ao longo de sua operação:

 

 

Monitoramento

 

O monitoramento ocorre de maneira ininterrupta através de instrumentação da estrutura, a fim de acompanhar a estabilidade planialtimétrica da OAE. Após a implantação da obra de arte são implantados instrumentos nos elementos da estrutura. Esses instrumentos são capazes de fornecer leituras dos deslocamentos ocorridos na mesma. Deve ser obedecida uma rotina de leituras que poderá ser adaptada à necessidade de acompanhamento, gerada pela ocorrência de qualquer fator imposto à OAE (recalques de fundação, colisão, flechas, etc). Os dados são obtidos com a utilização de estações totais, sensores de carga e movimento e níveis topográficos, e devem ser registrados em um banco de dados que possibilite a comparação cronológica e por instrumento.

Inspeções

A primeira inspeção a ser feita é a Inspeção Cadastral, essa inspeção deve ser realizada logo após o término da construção, em função da disponibilidade de projeto e relatórios construtivos. Essa inspeção deve ser fartamente documentada e acompanhada por profissionais qualificados, pois servirá de referência para as inspeções futuras. Posteriormente, de acordo com o manual do usuário (fornecido pela construtora), devem ser realizadas vistorias periódicas para aferição das alterações em relação à vistoria cadastral. Uma nova vistoria cadastral deverá ser realizada na ocasião de alterações de impacto, como por exemplo, alargamento.

O DNIT, através da sua norma 010:2014 prescreve que “A inspeção de uma ponte deve ser conduzida de forma sistemática e organizada, de modo a garantir que todo elemento estrutural seja inspecionado; adequadas fichas de inspeção garantem este procedimento. O registro fotográfico ou de imagens digitalizadas deve ser abrangente e completo; um mínimo de seis fotos deve registrar vista superior, vista inferior, vistas laterais e detalhes de apoios, articulações, juntas etc; defeitos eventualmente encontrados em qualquer elemento estrutural devem ser cuidadosamente examinados e registrados para permitir avaliar suas causas. Efetuar a limpeza de determinadas áreas da ponte, para verificar se há trincas, corrosões ou outros defeitos encobertos. Havendo possibilidade, a ponte deve ser observada durante a passagem de cargas pesadas, para verificar se há vibrações ou deformações excessivas.”

Alguns itens, mas não se limitando a esses, que devem ser observados durante as inspeções:

Diagnóstico

De posse das toda a informação obtida através do monitoramento, das campanhas de inspeções, de ensaios laboratoriais e do histórico de manutenção, torna-se possível o diagnóstico das manifestações patológicas existentes, assim como a análise de suas causas. De posse desses dados, é possível indicar as melhores rotinas de manutenção.

Manutenção

Manutenção é o processo de conservação, melhorias ou recuperação de algo e pode se subdividir em três partes:

O objetivo da manutenção é recuperar, manter ou melhorar o desempenho de alguma coisa. Muitas vezes o termo manutenção é atrelado apenas à máquinas e equipamentos, entretanto esta contextualização é feita de maneira limitada e errônea. A aplicabilidade do processo de manutenção é ampla e abrange diversos setores e segmentos, inclusive o setor da indústria da construção, em todos os seus segmentos.

No setor da Engenharia Civil é muito comum que não haja esse acompanhamento e execução das manutenções nas obras realizadas. Essa ausência de manutenção, principalmente da preventiva, contribui para o crescente índice de manifestações patológicas no setor.

Como referência para os processos de manutenção de pontes e viadutos apresentam-se:

NBR 9452:2016 – Inspeção de pontes, viadutos e passarelas de concreto – Procedimento

NORMA DNIT 010:2004 – Inspeções em pontes e viadutos de concreto armado e protendido

 

 

A manutenção preventiva, como o próprio nome já diz, atua de forma antecipada. Ela é prevista no programa básico de utilização do sistema construtivo. O seu processo ocorre de maneira programada, mediante a situação de cada elemento estrutural.

Este tipo de manutenção tem a característica de atuar de forma planejada, prevendo paradas periódicas que possuem a finalidade de reparar ou reforçar elementos estruturais antes mesmo que a sua vida útil esteja comprometida, evitando assim que a estrutura mantenha desempenho exigido. Os períodos de reparos e reforços dos elementos são baseados em informações a respeito da OAE, sendo alimentados por dados dos fabricantes, históricos de manutenção, inspeções rotineiras e monitoramento da estrutura.

Ressalta se que a manutenção preventiva ocorre independentemente de danos reais apresentados, fazendo com que em alguns momentos ocorram intervenções e gastos que não seriam necessários de imediato.

Alguns serviços realizados nas manutenções preventivas são:

 

A manutenção corretiva é a mais indesejada dentre os tipos de manutenção. Quando ela ocorre, significa que algum elemento da estrutura teve o seu desempenho comprometido e perdeu sua funcionalidade em parte, ou por completo.

Quando ocorre este tipo de manutenção em OAE o transtorno para a sociedade é muito alto, pois necessita que parte da OAE ou ela inteira seja interditada, gerando sérios impactos para os deslocamentos, além de ter um custo mais elevado em função de ser uma atuação emergencial, sem planejamento prévio.

Em alguns caso a manutenção corretiva pode ocorrer de forma planejada, mediante aos resultados da manutenção preditiva.

 

A manutenção preditiva é muito semelhante à preventiva e justamente por isso esses dois tipos são muito confundidos.

A grande diferença entre elas é que a manutenção preditiva é baseada numa inspeção sistemática e na observância quanto à modificação dos parâmetros ou condições de desempenho.

Isso significa que a manutenção preditiva leva em consideração as condições reais quanto ao funcionamento dos elementos das OAEs, não sendo realizada necessariamente com base em cronogramas ou índices de funcionamento.

A partir do momento que a prevenção preditiva identifica problemas de desempenho que já estão ocorrendo ou poderão ocorrer em um futuro próximo, é feita a chamada prevenção corretiva planejada.

A conservação de pontes e viadutos está diretamente ligada à segurança dos usuários e consequentemente à qualidade de vida dos mesmos. Essas estruturas são fundamentais para a viabilidade e qualidade dos deslocamentos de pessoas e cargas. Os impactos causados pela interdição parcial ou total de uma obra de arte gera impactos econômicos e sociais de grande relevância. Obedecendo-se as rotinas de conservação, as estruturas terão prolongado tempo de operação, conferindo qualidade de vida e segurança aos seus usuários.

Em muitos casos torna-se necessário o ajuste da estrutura ao novo uso. Cargas admitidas são alteradas, necessidade de acostamento ou nova faixa. Nesses casos são realizadas intervenções mais profundas na estrutura como o reforço estrutural ou alargamento de pontes e viadutos.

A Construtora G-Maia possui elevada experiência em Recuperação estrutural, Reforço Estrutural e impermeabilização, sendo atuante em todo território nacional e na América Latina. Com importantes serviços prestados nesse segmento, a G-Maia possuí experiência e toda a estrutura necessária para realizar intervenções em obras de arte especiais.

Autores:

Lucas Dornelas

Heraldo Xavier

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