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/ Artigo #13 – Entendendo e Justificando o Custo da Manutenção Preventiva

Os responsáveis pela gestão de uma estrutura de concreto armado precisam entender e responder de forma muito clara duas questões: qual é o custo que se quer pagar? É o custo da manutenção preventiva ou é o custo da manutenção corretiva?

A figura a seguir mostra o gráfico da Lei de Sitter (SITTER, 1984 CEB-RILEM), ferramenta amplamente conhecida, reconhecida e comprovada em todo o mundo. O gráfico indica que para cada unidade monetária, que por opção ou desconhecimento, não se gaste na manutenção preventiva de uma estrutura, fará com que se gaste compulsoriamente, 5 unidades monetárias em manutenção corretiva posteriormente.

Figura 1 – Lei de Sitter

Figura 1 – Lei de Sitter

Ações de manutenção preventiva em estruturas devem ser entendidas exatamente como as revisões programadas de um carro zero quilômetro comprado. As manutenções precisam ser feitas para garantir que tudo continuará funcionando com segurança. Ao ignorar a realização de uma das revisões programadas, o usuário perde a garantia do fabricante e adentra em uma área de risco por sua própria conta.

Se buscarmos informações sobre os valores investidos em manutenção preventiva de estruturas de concreto armado de ordem pública ou privada em países desenvolvidos, e compararmos com os investimentos praticados no Brasil, veremos que estamos em escalas muito diferentes.

Em princípio, poderíamos dizer que isso é uma questão de ordem econômica, que países ricos tem mais dinheiro para investir em manutenção preventiva, e que no Brasil há outras prioridades. Entretanto, precisamente pela necessidade de se otimizar a distribuição dos recursos econômicos, deveríamos investir mais em manutenção preventiva.

Esse problema é uma questão de ordem cultural e não puramente econômica. As sociedades de países desenvolvidos conseguem visualizar as situações de forma global e têm a clareza de que investir em manutenção preventiva gera economia a médio e longo prazo. Por outro lado, de uma forma geral, a sociedade brasileira acredita que “se não existe um problema agora, não há a necessidade de investir” ou “se a estrutura ainda tem alguma capacidade estrutural, vamos aguardar um pouco mais.” É triste, mas constitui a realidade, o que pode ser verificado em noticiários e jornais ao longo do país.

Para ilustrar de forma lúdica o risco da falta de manutenção em uma estrutura, considere a seguinte situação: existe um jogo composto por uma bola e uma mesa quadrada, onde são desenhados os limites de outros dois quadrados concêntricos (FIGURA 2). No quadrado central, é colocada uma bola que pode se mover aleatoriamente devido a ações externas, como vento, vibrações e outros objetos que podem se chocar contra a mesa.

Figura 2 – Situação exemplo

Figura 2 – Situação exemplo

O seu objetivo é manter a bola na região central da mesa, que é uma região de controle. E para isso, você terá que gastar alguma energia. Se por alguma razão, como um descuido seu ou por investir menos energia do que a necessária, a bola sairá do quadrado central e passará para o quadrado intermediário. Uma luz amarela se acenderá indicando que você passou da zona de atenção e nesse momento você terá que gastar cinco vezes mais energia para recolocar a bola em sua zona de controle.

Mas se ainda assim, por alguma razão, não for investida energia suficiente e de forma adequada, a bola chegará a superar os limites da zona de atenção e então você entrará na zona de risco iminente. A partir daí a bola poderá cair da mesa a qualquer momento, sem aviso prévio e sem que você tenha tempo ou possa atuar de qualquer forma. Considere, ainda, a situação onde a bola passa para a zona de alerta, mas, por alguma razão, a luz amarela não se acende, e a zona de alerta se confunde com a zona de controle. Neste caso, você perde todos os parâmetros e já não consegue identificar o quão perto está da zona de risco.

Isso é exatamente o que acontece com uma estrutura de concreto armado. Temos que realizar ações, investindo energia e dinheiro para mantê-la em uma zona controlada. Fazendo isso, tudo estará adequado. Por outro lado, se negligenciarmos nossas ações, nossa estrutura entrará em uma zona de alerta onde o custo para retorná-la às condições iniciais será de ordem cinco vezes maior e mais cara. Ignorando a zona de alerta, passamos diretamente à zona de risco, onde simplesmente já não há controle sobre a situação e a estrutura está sujeita a um colapso parcial ou total a qualquer momento.

Para finalizar a comparação, imagine agora uma situação onde, por negligência ou propositalmente, um gestor expanda a zona de controle até o limite da zona de risco, considerando desnecessário que sejam feitas as manutenções preventivas na estrutura, por representarem um gasto excessivo. A situação descrita é o que ocorre com centenas ou quiçá, milhares de estruturas atualmente no Brasil.

Figura 3 – Situação exemplo

Figura 3 – Situação exemplo

Imaginar que após construir uma casa ou estrutura, você só terá de pagar os gastos de consumo de água, luz e gás é exatamente a mesma coisa que imaginar que após comprar um carro você só terá gastos com combustível e troca de óleo. Consiste em um erro primário. Estruturas sofrem desgastes diários e continuamente, e, por essa razão, precisam ser monitoradas e sobre elas, executadas ações de manutenções preventivas.

Precisamos, portanto, atuar com consciência. Conhecimento, técnica, tecnologia e produtos adequados não nos faltam, somente precisamos atuar em tempo e de forma correta.

ESTUDO DE CASO: REFORÇO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS EM INDÚSTRIA PETROQUÍMICA

A Construtora G-Maia é especializada em reforço e recuperação de estruturas em concreto armado, tendo atuado em todo o território brasileiro ao longo dos últimos anos. Dentre seus principais projetos realizados, evidencia-se o reforço de elementos estruturais em uma indústria petroquímica.

Os pilares e as vigas da indústria, instalada no litoral brasileiro, apresentavam patologias diversas, a destacar as numerosas fissuras e trincas identificadas nas faces externas dos elementos estruturais. Tais patologias se devem ao ambiente agressivo em que as estruturas estão inseridas, uma vez que em regiões litorâneas, a alta salinidade e umidade do ar podem ocasionar ataques de cloretos e sulfatos ao concreto, eflorescências, corrosão de armaduras e o aparecimento de fissuras e trincas, em especial, em estruturas de baixo cobrimento, favorecendo uma maior vulnerabilidade do sistema.

Figura 4 – Trincas e fissuras encontradas nos elementos estruturais

Figura 4 – Trincas e fissuras encontradas nos elementos estruturais

Segundo a NBR 6118 (2014), as estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que, sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado, apresentem segurança, estabilidade e aptidão em serviço durante o período correspondente à sua vida útil de projeto. Quando patologias atuam em conjunto sobre a estrutura, promovem a perda da capacidade resistente do sistema aos esforços solicitados, fazendo-se necessária a utilização de materiais de alta resistência mecânica à compressão, à tração e ao cisalhamento para o tratamento adequado das mesmas.

Para as trincas e fissuras, o tratamento com resina epóxi é altamente recomendado, uma vez que o material apresenta características de grande durabilidade, excelente aderência ao substrato, elevada resistência mecânica, baixa viscosidade, isenção de solventes e resistência à ataques químicos. Como consiste em um material rígido após a cura, é importante restringir o tratamento somente às fissuras e trincas passivas, que não apresentam movimentação.

Destaca-se, ainda, a técnica de reforço estrutural por encamisamento de concreto armado. Por meio do aumento de seção, os pilares e as vigas podem ter as dimensões alteradas para elevar consideravelmente suas capacidades resistentes. A principal vantagem do método consiste em seu baixo custo, quando comparado aos demais métodos de reforço.

Visando utilizar uma tecnologia eficaz e de baixo risco, além de promover uma rápida intervenção no sistema estrutural da indústria, a Construtora G-Maia foi responsável pelo reforço estrutural das vigas e pilares por meio da injeção de resina epóxi nas trincas e fissuras passivas, e da execução de encamisamento de concreto armado nos demais pilares comprometidos estruturalmente.  Após a conclusão dos serviços, os pilares e vigas reforçados atenderam a todos os requisitos de segurança e durabilidade estrutural esperados.

Figura 5 – Pilar reforçado com injeção epóxi

Figura 5 – Pilar reforçado com injeção epóxi

 

Figura 6 – Pilar reforçado com injeção epóxi

Figura 6 – Pilar reforçado com injeção epóxi

 

Figura 7 – Viga reforçada com injeção epóxi

Figura 7 – Viga reforçada com injeção epóxi

 

Figura 8 – Reforço por encamisamento em pilar

Figura 8 – Reforço por encamisamento em pilar

 

Figura 9 – Pilar reforçado

Figura 9 – Pilar reforçado

 

Para garantir a integridade das estruturas em concreto armado, faz-se necessária a atuação consciente, precisa e em tempo correto, objetivando realizar a manutenção preventiva dos elementos. Em medidas corretivas, quando necessárias, deve-se aplicar a técnica e produtos adequados para cada situação, de forma a reconstituir a resistência estrutural, estabilidade e durabilidade do sistema.

Autor :

Jonhson Rigueira

 

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Conteúdo em PDF :

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